Entre a Luz e a Tempestade: o romance que faz a Madeira pulsar
Há livros que chegam silenciosamente e ficam para sempre.
Entre a Luz e a Tempestade, o novo romance de Andreia Freitas Silvério, é exactamente isso: uma história que começa com o cheiro das flores de bougainvillia nas ruas do Funchal e termina com o leitor a perguntar a si mesmo em que ponto da sua própria vida se encontra — entre a luz da segurança e a tempestade do desejo.
Inês é professora de inglês numa escola do Funchal. A sua rotina é previsível, ordenada, quase perfeita à distância. Mas quando Lucas — professor de história, recém-chegado, com sorriso capaz de desestabilizar qualquer equilíbrio — entra na sala dos professores, algo dentro de Inês começa a mover-se. Não com estrondo, mas com a insistência silenciosa das ondas do Atlântico que batem, batem e batem até que a pedra cede.
O que se segue não é um romance de amor simples. É um romance de amor honesto. Com ciúmes e culpa, com segredos que pesam e com a coragem de enfrentar os próprios fantasmas. Andreia escreve com uma intimidade sensorial rara: sentimos o sal do ar da Madeira, o calor da pele, o silêncio dos momentos que antecedem um beijo e o peso de tudo o que não é dito.
“Entre a luz da rotina e a tempestade do desejo, Inês vive um amor que a obriga a confrontar medos, culpas e escolhas.”
A Madeira não é apenas o cenário: é um personagem em si mesma. O Jardim do Mar, o Funchal nocturno, as levadas, os bares com música ao vivo — tudo contribui para criar uma atmosfera que envolve o leitor como uma brisa quente de Verão. Silvério conhece a sua ilha e usa-a com mestria literária, transformando cada rua numa metáfora, cada onda numa emoção.
Este é o sétimo romance de Andreia Freitas Silvério para leitores adultos. Mas é, talvez, o mais íntimo. O mais corajoso. O que mais faz doer no peito — da melhor forma possível.
Se ainda não descobriu esta autora portuguesa, Entre a Luz e a Tempestade é o lugar perfeito para começar. Se já a conhece, prepare-se: este livro vai surpreender-te.
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Entre a Luz e a Tempestade está disponível através da Editorial Autografía.
Entrevista com a Autora
Conversa com Andreia Freitas Silvério
A seguir, uma entrevista com a autora sobre o processo criativo, a Madeira como cenário e os temas que percorrem Entre a Luz e a Tempestade.
P1. Como nasceu a ideia para Entre a Luz e a Tempestade?
Houve um momento, uma imagem, ou uma sensação específica que despoletou tudo?
Creio que não se tratou de um momento, mas de um acumular de momentos, de histórias que vi acontecer à minha volta. Depois de até mesmo vivências pessoais em que precisei encontrar a minha força e ponto de equilíbrio, nasceu a vontade de escrever algo que levasse os leitores a perguntarem a si mesmos, o quanto vale a sua paz de espírito.
P2. Inês é uma personagem muito contida, quase invisível para os outros, mas com uma vida interior avassaladora.
De onde vem esta dualidade? É algo que reconhece em si própria?
A Inês não tem muito de mim, tenho que admitir que sou mais “barulhenta”. Se não gosto digo, não sei guardar. A Inês é muito da minha mãe, que se contém, que guarda, que procura sempre a melhor maneira de dizer e fazer as coisas. Mas é também a calma que vejo na minha sogra. A paz na voz, nos gestos mais contidos.
P3. A Madeira está em cada página: o Funchal, o Jardim do Mar, o Atlântico.
A ilha é cenário ou é personagem? Como a experiência de viver ali moldou a narrativa?
Arrisco a dizer que a Madeira é a personagem principal do livro. Queria não só despertar o leitor para a beleza desta pérola do Atlântico, mas também envolver o leitor numa viagem sem sair do seu sofá. Sou apaixonada pela minha ilha plantada à beira mar, apesar de não residir em nenhuma das localidades mencionadas no livro, isso moldou a forma como quero que os leitores encarem a ilha. Queria que entendessem que podemos ser ilhéus mas mesmo assim ter uma visão bem aberta ao mundo.
P4. Lucas é descrito como alguém cuja presença desestabiliza sem esforço.
Que cuidado teve ao construir uma personagem masculina que não caísse em estereótipos do género romântico?
Inventar o Lucas não foi difícil. A presença que enche a sala, que enfeitiça os ouvintes mas com subtileza. O maior cuidado era que ele fosse alguém normal, que não soasse a ficção. Alguém que não deixasse a ideia de “só existe nos livros”. Foi a personagem que me demorei mais a construir. Lembro-me de sentar no café e observar as figuras masculinas que por ali passavam e tirar pequenas notas e apontamentos. Um “tem que ser alguém que se note sem esforço, mas sem soar a escandaloso”, ou mesmo aquelas pequenas anotações: “lembrar que não pode ser louro e olhos azuis, seria muito cliché”. O Lucas foi pensado para que fosse a pessoa que nos cativa mas sempre com a incerteza.
Descobre o livro
Se procuras uma história intensa, emocional e profundamente humana, Entre a Luz e a Tempestade é uma leitura que merece o teu tempo.
Disponível agora na Editorial Autografía.